Songs To Nowhere#109#Trendkill Radio#6.09.2021

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SonicBlast Moledo’17 Dia 11, de Moledo ao Espaço em 12 concertos

A espera terminou. É sexta-feira. A temperatura subiu, o vento parou e cada vez mais gente sobe as ruas que vão dar à piscina de Moledo onde os concertos começam por volta das 13.30. O SonicBlast está prestes a começar. Nas próximas 36 horas iremos ver 24 bandas com uma pausa para descanso. A bilheteira encontra-se repleta de gente a trocar bilhetes por pulseiras, numa azáfama estranhamente coordenada. O Sonicblast voltou a esgotar. O que não era difícil de adivinhar tendo em conta o cartaz que apresentaram para 2017.
Novamente a apostar em doses equilibradas em bandas recentes e bandas consagradas e com um leque de estreias que nos obriga a parar para pensar, um cartaz com espaço para várias sonoridades dentro do espectro a que se dirige… Perguntamo-nos se teremos a habilidade de sentir tanto de tantas formas em tão curto espaço de tempo. As zonas envolventes encontram-se agora repletas de gente, mas não daquela forma que não nos permite fazer nada a não ser seguir atrás uns dos outros. Ou seja, apesar de verificarmos que o espaço tem gente continuamos a conseguir movimentar-nos entre o palco a zona de refeição ou a bilheteira com uma fluidez natural e mais que isso extremamente agradável.

A abertura do palco secundário, junto à piscina, coube ao duo oriundo da Cidade do México, mas agora sediado em Berlin, Bar de Monjas, que segundo o relato dos presentes tiveram uma prestação cheia de garra e à altura do que deles se esperava a destilar todo o seu fuzz no pico do calor desse dia, a fazerem-se ouvir por Moledo como se de um chamamento se tratasse.
A primeira banda que encontrámos no palco da piscina foram os Holy Mushroom, banda natural de Oviedo, que à medida que íamos subindo a colina em direcção ao recinto libertava uma vibração tão apropriada quanto perturbadora e que nos acolheu na perfeição como um convite a uma viagem morna pelos raios solares que nos aqueciam àquela hora do dia junto à piscina. Um concerto que apenas pecou por pequeno.
Quando os portugueses It Was the Elf se apresentaram poucos minutos depois, já encontraram o recinto mais preenchido e a banda teve oportunidade de injectar uma nova dose de adrenalina na tarde com a sua sonoridade bastante mais musculada e intensa, mostrando-se com uma garra evidente e inequívoca os It Was The Elf trouxeram as músicas do álbum editado em 2016, tendo ainda desvendado uma faixa nova para o público de Moledo.
Os It Was Elf deixaram o palco com um público bastante agradado com a prestação e completamente preparados para os refrescantes Stone Dead que vieram até à foz do Minho apresentar o seu novo disco, Good Boys, editado este ano, num registo mais leve e gingão do que é habitual nestas paragens. O público agradeceu a explosão enérgica e juvenil que estes trouxeram. Levantaram-se das toalhas e bastante gente abanava a anca a pedir mais deste som cheio de um groove muito próprio.

Neste registo ondulatório de altos e baixos ritmos conseguia agora entrever-se o plano que nos havia sido delineado com este alinhamento. O cruzamento de bandas tanto num palco como no outro iria ao longo dos dois revelar-se-ia muito bem estruturado de modo a compor o ambiente na forma mais heterogénea possível, trazendo picos de adrenalina mais efusivos como os Bar de Monjas, alternando com os cósmicos Holy Mushroom para novamente nos lançar no estilo mais ofensivo dos It Was the Elf e logo nos levar a um registo mais leve e repleto de rock n’roll dos Stone Dead.

O final da primeira tarde na piscina trouxe até nós os Black Bombaim que nessa tarde se apresentaram com mais uma peça na sua engrenagem, o saxofone. No seu estilo irrepreensível e característico coube-lhes o encerramento da tarde de sol e piscina. Depois de toda a alegria espalhada de forma contagiosa pelos Stone Dead que nos haviam libertado das sonoridades mais intrincadas dos It Was the Elf os Black Bombaim simplesmente entraram nos nossos pensamentos e construíram através da sua música momentos completamente memoráveis em termos sonoros. O saxofone acentuou uma série de nuances na música com que nos presentearam, permitindo uma viagem serena e intensa em direcção àqueles que pareciam ser já os últimos raios de sol do dia.

Findos os concertos na piscina o público dispersou-se pelo espaços do festival e muitos encaminharam-se de imediato para o palco principal. Existia alguma curiosidade com a actuação dos israelitas The Great Machine.
Tal como havia acontecido um par de horas atrás com os Stone Dead, que fogem actualmente um pouco à sonoridade predominante no Sonicblast, também aqui o público correspondeu e clamou por mais. Os The Great Machine trouxeram um concerto cheio de garra que mantiveram habilmente do princípio ao fim e souberam transformar a sua inesperada actuação em algo memorável. Dominaram o palco e o público com uma atitude a roçar um certo punk e noise, musculado e sem filtro. Exuberantes no mínimo. A repetir sem dúvida.

Seguiram-se os The Well, obscuro trio oriundo de Austin, também eles a fazerem a sua estreia em Portugal, e onde Lisa comanda o ritmo através do seu baixo carregando toda a actuação de uma sensualidade completamente inesperada. É ela que domina grande parte das atenções do público, com a sua atitude dir-se-ia quase displicente, através da forma autoritária com que comanda a secção rítmica da banda e o próprio público. Os The Well souberam aproveitar bem a hora que actuaram, e o concerto destes acompanhou a descida do sol no horizonte de uma forma quase sincronizada. À medida que o sol desaparecia evidenciavam-se cada vez mais as tonalidades mais pesadas e sombrias dos The Well que foram largamente aplaudidos pela surpresa causada.

Os senhores que seguiram, os Yuri Gagarin, também estreantes em solo português, oriundos da Suécia, entraram em palco naquele momento em que a claridade do sol já se vislumbra apenas reflectida na abóbada celeste. Atrás dos músicos o nome, imponente como a sonoridade dos mesmos parecia crescer à medida que passavam pelas suas músicas e nos transportavam numa viagem que nos levaria no cair da noite a sentir as primeiras constelações obscurecidas pela sonoridade espacial intrincada presente em músicas como Sea of Dust ou New Order. Um concerto que começou um pouco desligado do público mas que terminou no seu auge deixando uma certa sensação incompleta e algo confusa sobre o mesmo, mas um público bastante satisfeito com o que havia vivenciado.

Cerca das 21.30 os Kikagaku Moyo entraram em palco. Talvez porque o concerto anterior havia sido denso na sua totalidade a música dos Kikagaku Moyo parecia-nos suave demais…e foi assim que começaram com uma suavidade, macia e etérea que aos poucos se entranhou em nós e nos embrenhou no seu psicadelismo sexy e nostálgico, mas completamente positivo. O que nos trazem não é novo, mas a sua fórmula contém uma dose de abstração maior e mais extensa que a multidão que os recebe. Á medida que o concerto progride e a atmosfera que criaram envolve cada vez mais o público sente-se uma espécie de euforia sincera e desprendida a tomar conta de todo o recinto. Respirava-se em harmonia com o universo! Sem dúvida um dos momentos de maior sintonia entre todos os presentes, e um concerto ao qual poucos terão ficado indiferentes e que reflete toda a atmosfera com que identificamos o SonicBlast.

A tarefa dos suecos Monolord não seria fácil, apesar de conhecermos as capacidades da banda e de não existirem dúvidas sobre a mesma, suceder aos Kikagaku Moyo que nos haviam levado numa viagem serena e feliz pelo psicadelismo mais setentista que por lá passou pareceu naquele momento complicado.
Na verdade não foi. Os Monolord protagonizaram mais uma estreia irrepreensível, aguçando a nossa curiosidade pelo álbum cujo lançamento está bastante próximo. Conseguiram sem qualquer dificuldade comunicar com o publico e introduzir música a música a sua sonoridade mais pesada e complexa até ao final estrondoso com Empress Rising que granjeou francos aplausos pela eximia e intrincada execução, semente de uma agressividade latente e obscura e que aqueceu novamente a noite à qual trouxeram um fôlego nada inesperado deixando o público grato pela entrega da banda e muita gente com vontade de os rever.
 A noite parecia recomeçar novamente. Os Elder eram uma das estreias mais aguardadas. Com mais um guitarrista em palco criaram todo um plano suspenso sobre as suas complexas criações. Dedicaram-se aos álbuns mais recentes o que de certa forma arrefeceu a ligação que se esperava bastante estreita. A verdade é que em termos de execução os Elder são irrepreensíveis. Apesar de termos sentido um certo cansaço em alguns momentos, fruto talvez de este ser o último concerto da actual tourné, e também não são fáceis de digerir, mas perto da magnitude do som que criam e reproduzem em palco todos estes apontamentos não passam disso mesmo. A falange mais dedicada do público que os compreendeu do princípio ao fim, e que era bastante grande, aplaudiu efusivamente cada música porque de facto os Elder sem qualquer dificuldade cativam mesmo através das suas mais complexas composições. Resta-nos esperar que regressem em breve pois soube a pouco.

12 horas depois do inicio na piscina, tínhamos agora perante nós os The Cosmic Dead que substituíram os Kadavar no cartaz deste ano. No meio de azares e peripécias e com o público já a estranhar a demora na entrada em palco, informaram que haviam chegado há poucos minutos e iriam tocar com material cedido por outras bandas pois os seus instrumentos se tinham extraviado, agradecendo a todos os que tornaram o concerto ainda assim possível.
De repente não se sabe bem o que esperar, ou o que esperamos de facto. Não é tarefa fácil tocar com instrumentos de outros músicos, mesmo tratando-se de uma banda capaz de improvisos intermináveis. Não foi aos primeiros acordes que os reconhecemos na sua totalidade, mas a habilidade e capacidade destes músicos conseguiu transpor um obstáculo cruel com uma graciosidade fantástica, oferecendo-nos um concerto decerto irrepetível. Uma surpresa agridoce decerto mas da qual souberam tirar o melhor partido sem prejuízo algum para o público. Criaram ao longo do seu set os sonhos que muitos de nós levariam para a tenda transportando toda a turba que ainda ali se encontrava para um plano elevado com uma vista privilegiada sobre o Atlântico, junto ao qual muitos foram terminar a sua noite, até que um novo dia cheio de música comece.
Podem ver a reportagem completa no Musica em Dx com fotografia do Daniel Jesus!





The Machine; a Dinâmica da experimentação


Em contagem decrescente para o SonicBlast 2017, que irá acontecer em Moledo do Minho nos próximos dias 10,11 e 12 de Agosto, falámos um pouco com uma das bandas mais versáteis com quem contam este ano. O trio The Machine que já esteve entre nós, também no SonicBlast, em 2013. Conversámos informalmente com eles para vos dar a conhecer um pouco mais desta banda que iniciou o seu percurso em 2007 e que conta já com álbuns que são uma peça incontornável do que de novo acontece na música europeia de inspiração stoner. Falámos com David, o guitarrista e vocalista.

MDX - Para os nossos leitores que poderão não vos conhecer, quem faz o quê nos The Machine?
The Machine - Bem, temos o Hans, o nosso baixista, o Davy na bateria e eu como guitarrista e vocalista. Estamos juntos mais ou menos desde o outono de 2007 e tocamos rock, algumas das suas variadas formas.

MDX - Como escolheram o nome da banda?
The Machine - Foi durante uma sessão com um tabuleiro Oija que deu para o torto, numa noite escura e extremamente quente no meio do deserto de Flakkee, mais conhecido por pequeno Triângulo das Bermudas...Vendemos as nossas almas em troca de um sucesso infinito a tocar rock...e recomendaram-nos este nome.

MDX - Como desenvolvem as vossas músicas? Houve mudanças no processo criativo desde 2007 até agora?
The Machine – É quase sempre diferente de música para música. Algumas começam com demos que trazemos para a sala de ensaios, outras acontecem durante algum pequeno improviso que fazemos e surgem de forma quase instantânea. Por vezes usamos um riff de baixo do Hans ou uma batida especifica do Davy como ponto de partida e por aí fora. Algumas músicas levamos meses a finalizá-las, outras vezes levamos uma hora a chegar ao som final. Suponho que como a maioria das bandas trabalhamos como uma unidade. Um corpo só. Gradualmente passámos de uma situação em que apenas improvisávamos horas sem fim (há dez anos atrás era assim), e usávamos três acordes e uma quantidade semelhante de riffs por música com um solo de guitarra de dez minutos para depois compormos e estruturarmos e reestruturarmos ao mesmo tempo que também encurtávamos as músicas. Na verdade é muito mais fácil pensar um pouco as coisas e levar um pouco mais de tempo para que apareçam ideias novas e interessantes, ou seja agora levamos mais tempo a compor menos minutos de música.

MDX – O vosso ultimo álbum Offblast saiu em 2015. Já estão a trabalhar em músicas novas?
The Machine - Sim e não. Não, actualmente não estamos a escrever músicas novas. Sim, estamos a meio da gravação de um monte de músicas novas.

MDX – Quem são as vossas maiores influências na forma como fazem a vossa música?
The Machine – Há dez anos atrás quando começámos sentíamo-nos directamente influenciados por alguns artistas, hoje isso já não acontece. Por isso não existem actualmente nenhumas influências de vulto no que estamos a fazer apesar de todos nós trazemos influencias de outras músicas, como é normal. É correcto dizer que essas influências também vêm de outros estilos que extrapolam a nossa pequena cena. Para começar os nossos gostos pessoais são muito diversos. Eu passei agora algum tempo entre o Miles Davis dos anos 70, intercalando com algum punk hardcore e algum noise rock. Do ponto de vista criativo tenho-me interessado menos em tocar sem rumo definido para me focar mais em certos ambientes e composições. De um modo geral estamos mais focados. Mas a nossa maior influência criativa neste momento é talvez o facto de não nos querermos repetir e fazermos apenas aquilo nos apetece.

MDX – Se tivessem uma máquina do tempo, com quem e quando gostariam de tocar?
The Machine – ahahahahah! Bem, deixa-me pensar… Eu gostava de ir ao futuro...porque o passado é o passado. Como a nossa música tem estado sempre a evoluir e nós ainda somos uns deuses jovens, gostava de ver como estaremos daqui a 10 anos quando tivermos 40 e poucos, por isso basicamente gostaria de tocar comigo próprio!

 MDX – Como são os vossos concertos e o que podemos esperar do concerto no Sonic Blast?
The Machine – Infelizmente o nosso estilista demitiu-se há pouco tempo, foi trabalhar com uma banda mais na moda e com fatiotas a condizer por isso estamos um bocado à deriva na cena da imagem...mas como é verão e provavelmente vão estar pelo menos 30º graus é provável que estejamos de calções e t-shirt. Como sempre vamos dar o nosso melhor e divertir-mo-nos. É possível que no meio do set apareçam uma ou duas músicas novas. De certeza que não vamos tocar Moons of Neptune…. Nós tocámos no Sonic Blast em 2013 por isso também sabemos mais ou menos o que esperar do público. Digamos que isso é mais que suficiente para estejamos bastante ansiosos por voltar a Moledo.



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Entrevista publicada originalmente na Música em DX em 30/07/2017

Ao vivo em 01/Julho/17 Roadscum; Patrulha do Purgatório & Nashville Pussy! Rock’n roll nas veias!

No inicío de Julho estivemos no Stairway Club, em Cascais para presenciar um concerto que vai um pouco além do rock’n roll. Nessa noite em palco presenciámos três performances cada uma a fazer juz ao que representa. A abrir a noite estiveram os portugueses Roadscum que despertaram as mentes que de alguma forma pudessem ainda vir um pouco dormentes da noite anterior.
Os portugueses Roädscüm vinham definitivamente com toda a força possivél. De tal forma que ao cabo de poucos minutos ficaram sem uma das guitarras. Podia ser complicado gerir isto? Podia. Mas não foi! Eles não baixaram os braços, nem nada semelhante. Aliás toda a agressividade latente da sua sonoridade ficou ainda mais crua e o concerto decorreu como se de toda uma performance se tratasse acabando de forma quase apoteótica no palco!
Já a contar os minutos para Nashville Pussy tivemos Patrulha do Purgatório com um reportório emblemático e representativo do mais puro punk português a criar ondas de de nostalgia à mais bela maneira punk: Duros, agressivos e sem papas na lingua, sempre prontos a meter o dedo na ferida e a tornar impossivél que alguém se mantivesse quieto durante concerto tal o ritmo frenético das músicas!
Quando os Nashville Pussy entraram em palco o Stairway Club já se encontrava praticamente cheio para os receber como se fossem da casa, com uma tremenda ovação!

Na verdade, quem vem ver um concerto dos Nashville Pussy não vem apenas pela música...se vem apenas pela música recebe um grande bónus que é o verdadeirio espectáculo de rock’n roll que eles oferecem. Além de a maioria das letras girarem à volta de temas como alcoól, mulheres, sexo, dor de corno, droga, violência, etc e tal, eles são em palco tudo aquilo que apregoam nas suas músicas. Não é decerto nem por acaso que eles dizem “In Lust we trust”. É porque é mesmo isso que eles encarnam, como verdadeiros hedonistas que são. Eles não querem saber do parecer bem nem creio que se importem muito com o que os outros pensam, desde que dê para continuar a fazer concertos e noitadas será sempre maravilhoso. Amantes da vida, da loucura, da diversão sem regras nem prisões são em palco a verdadeira banda.
O rock’n roll da garrafa de whisky na mão e o cigarro ao canto da boca com Ruyter Suys a protagonizar fantásticos solos de guitarra que destilam aquela sensualidade que só ás mulheres com o verdadeiro rock’n roll nas veias é permitida (sim o verdadeiro...).
O rock’n roll que esquece o politicamente correcto, as maneiras e apenas mantém a boa educação! Assim é Blaine, provocador e mandão, sempre a pedir mais barulho, mais loucura na sua voz rouca e timbre sujo a beber cerveja do chapéu e a olhar para o público como se o mundo acabasse em menos de cinco minutos e eles em palco tivessem de fazer valer a pena tudo o resto.
O público que grita pela banda mas apenas grita: Pussy! Pussy! Como se estivessem a exorcizar dois mil anos de história que nos fazem não dizer palavras de forma natural!
Podem ver a reportagem completa com fotografia do Daniel Jesus no Música em DX 

Ao vivo em 20/Julho/17 A energia provocadora dos Meatbodies!

Os norte americanos Meatbodies vieram com toda a garra que lhes é característica, dispostos a não deixar pedra sobre pedra no Cais do Sodré.
Com uma casa quase cheia debitaram pouco mais de uma hora de música, para um publico sinceramente entusiasmado e carregado de energia pronto a receber a descarga vibrante da banda formada por Chad Ubovich há cerca de 5 anos em Los Angeles. 

Simpáticos afáveis e divertidos do primeiro ao último minuto, principalmente pela voz do guitarrista Patrick Nolan que confirma que Chad se encontra um “pouco” afónico.
O gozo que tem em dar concertos extravasa completamente para o público que sorri, abana o corpo e salta.
Him, do primeiro disco a abrir as hostilidades num nível bastante elevado que mantiveram quase durante 50 minutos, onde debitaram pelo meio de risos e pedidos de rum, ( haviam eleito o rum como a bebida da noite), algumas das músicas mais pujantes da sua discografia.
Como Chad estava sem voz, Patrick declarou unilateralmente avisando o público e os técnicos de som “Now i’m singing, deal with it!” numa verdadeira descontração provocadora.
O périplo pela discografia focou-se em temas musculados e com forte incidência nas sonoridades mais pesadas que apresentam, tornando-as ainda mais pesadas e distorcidas. 

Disciples e Montain, muito mais pujantes que nos discos, tornando impossível não saltarmos com toda esta gente que se movia num mosh pit juvenil e sorridente. Depois de Montain não mais houve sossego na sala, com hordas de miúdos e outros mais graúdos a darem largas a toda a energia que os Meatbodies transmitem. Passaram também por Haunted History, the Master e Gold.
E depois de 50 minutos em curva ascendente havia que acalmar os ânimos! Foi a Alice, o single homónimo do último disco que coube esse papel, numa continuidade de sorrisos e corpos ondulantes e felizes, vimos toda uma sala a relaxar de toda a adrenalina que ali havia sido libertada!

São concertos destes que nos mantém jovens e felizes.

Intensos, enérgicos, provocadores! Não os pudemos deixar ir embora sem encore, e o encore foi dado à escolha pelos próprios Meatbodies: Tremors ou Wahoo.

Queríamos ambas, mas Wahoo era a síntese deste concerto e foi ao som de um Wahoo ainda mais intenso que terminaram o concerto. Desordenados e felizes foi assim que nos deixaram!