Songs To Nowhere#109#Trendkill Radio#6.09.2021

Ao vivo em 19/Julho/17 TAU & SALLIM NO MUSICBOX, A BELA E OS XAMÃS!

Na noite de quarta feira passada o Musicbox proporcionou a oportunidade de rever em Lisboa o duo TAU, que passou pela capital a caminho do festival Woodrock e do  Milhões de Festa onde iriam actuar durante o fim de semana.
Géneros ou rótulos à parte, os TAU são na verdade uma experiência, que existindo essa possibilidade deverá ser vivida ao vivo e a cores e se possível descalço, pois a espiritualidade que emanam transcende em largos traços a audição dos discos e exalta a uma ligação com os elementos que se concretiza totalmente é na audição directa dos seus criadores.

O espectáculo começou com Sallim, pouco passava da hora estabelecida pela sala, no entanto muito poucos assistiram ao concerto de Sallim que com a sua voz limpída e enamorada nos levou de volta para aqueles sentimentos próprios do fim da infância. Viajámos ao som da sua guitarra até aqueles momentos em que nos começámos a tornar pessoas com opiniões e sentimentos complexos. É sobre esses  sentimentos complexos que a voz e a guitarra de Sallim se debruçam. O amor, a tristeza do amor não correspondido, ou a alegria de amar e ter amigos.
As letras simples no sentimento que descrevem, adquirem complexidade nas tonalidades da voz de Sallim suave, por vezes enamorada. Uma música para apenas sentir porque como a própria diz “ namorar é bom remédio para quem não quer pensar”.  Agreste ou um pouco angustiada, coisas naturais de quem ainda cresce, mas sem perder a compustura quando nos relata as mágoas, mágoas doces que nos transportam a esse momento simples e livre do primeiro amor com uma limpidez quase subversiva.

Com a casa já um pouco mais composta, os TAU entraram em palco por volta das 23,30,descalços e acendendo incensos como que a anunciar a verdade xamânica e hipnótica que a sua música nos traria na próxima hora.
As histórias que as suas músicas contam provêem dos desertos, esses sitios inóspitos que têm o poder de no meio do nada nos devolver às nossas formas mais primitivas e nos remeter para a nossa  mais ancestral espiritualidade, como em Mother, single do último albúm, lançado em Outubro de 2016, TAU TAU TAU, mais vibrante que no concerto a que havíamos assistido há alguns meses. Através da sua música levaram-nos ao deserto à descoberta de nós próprios com Espiral e Venadito, e exultaram-nos a escolher entre o Eros e o Logos, o coração ou a razão.

Dessa dualidade partem para Midnight Jaguar onde a guitarra de  Mulrooney estilhaça toda a acalmia que havia sido construida até ali e seguem até Huey Tonatzin do primeiro Ep, “Wirikuta” o deserto sagrado da Wixarika. Terá sido a peregrinação de Nunutzi por Wirikuta que o levou tempos depois a encetar a colaboração com  Mulrooney originando assim os TAU.
É verdade que não foi um concerto surpreendente, mas não por que a banda não o queira fazer, eles fazem-no de facto, mas o escasso público no local não consegue entrar no mesmo ritmo ou encetar a mesma ligação aos elementos que os TAU emanam.
Surpreendente parece ser a falta de atenção que o público em geral tem dado a esta banda que tanto tem para oferecer e que se dedica a isso quase como se de uma missão se tratasse.
Gerald Pasqualin e Shaun Mulrooney lançaram no dia seguinte ao deste concerto mais uma peça na sua enigmática discografia que vale a pena descobrir, quanto mais não seja para perceber em que ponto da viagem nos encontrámos com este duo que contém nele elementos musicais provenientes do norte e centro do continente americano com uma forte persistência nos cantos xamânicos, assim como algumas remeniscências do médio oriente.

The Underground Youth


White Hills, mitologia pós apocalíptica

Os White Hills estiveram em Portugal. Ego Sensation e Dave W estiveram em Lisboa. No Sabotage Club. No passado domingo ofereceram um concerto irrepreensível para uma casa a pouco mais de meio gás.

É verdade que isso não diminui em nada o seu trabalho. Tocaram para uma casa a meio gás como se estivessem num estádio cheio e com a garra característica da sua sonoridade encheram e preencheram todos os espaços livres do clube do Cais do Sodré e os presentes corresponderam à entrega da banda.
Fizeram estremecer paredes e corpos.
Actualmente em tour para promover o seu mais recente registo, Stop Mute Defeat editado há pouco mais de um mês, abriram as hostilidades pouco passava das 23 horas com uma faixa que neste momento ainda é difícil de encontrar, mas que caracteriza o momento pelo qual esta dupla criativa passa actualmente. VI X, lado B de Pulse, lançado ontem, 28 de Junho, é uma declaração inequívoca, quase uma denúncia de tudo o que de errado se passa actualmente, ou o seu somatório. “VI-X“, é o termo científico usado para se referir à sexta maior extinção na Terra, sendo esse o momento que actualmente vivemos. Ego Sensation trouxe consigo a névoa toda do mundo e fez questão de nos envolver nela ao longo de todo o concerto pisando com uma convicção fabulosa o pequeno pedal que a libertava e nos envolvia rapidamente a todos. We are what we Are, we are what you see, assim cantam em uníssono sobre o poderoso som que produzem,a abrir caminho às novas músicas e mostrando-se arautos de um psicadelismo que volta a pisar terrenos contestatários e controversos.

A postura combativa e desafiadora, o sorriso ora cerrado ora provocador de Ego Sensation e Dave não engana e acompanhados por um baterista ainda mais temíveis se tornam, como se de um só grito derrubassem meia cidade. Têm algo mais a dizer que aquilo que estamos na realidade a ouvir. Irão dizê-lo em Attack Mode, através dos ritmos compassados e dos quais é impossível distanciar a voz de comando de ambos. Regressam um pouco atrás e oferecem-nos Hand in Hand de H-p1 de 2011, carregando com intensidade no efeito quase ensurdecedor que nos remete para um psicadelismo industrial e negro. Pesado, de tal forma pesado como se quase ficássemos presos ao chão, num prelúdio que nos levaria novamente a 2017 com Entertainer, Overlord e Trick of the Mind num piscar de olho a um certo pós punk. Apesar de não terem a casa cheia que o seu trabalho merece, é um facto que souberam levar este contratempo com um glamour que poucos têm e presentearam o público com um pequeno encore que nos deixou um zumbido que se prolongará por toda a semana. Controversos, perturbadores da ordem, instigadores da revolução, a música dos White Hills ultrapassou-se a si própria, inserindo a banda num nicho tão à parte mas ao mesmo tempo tão mundano.
As noites de domingo tem o infeliz hábito de ser ingratas para as bandas. Neste caso a noite terá sido especialmente ingrata para quem faltou a este encontro.

Black Bombaim, B from Titans


Electric Moon, o som da poeira cósmica à qual todos pertencemos


O  novo álbum do trio alemão Electric Moon já viu a luz do dia há algum tempo. Na verdade não foi assim há tanto tempo como isso. Mas a velocidade a que a informação nos chega actualmente faz com que na realidade pareça que ao se falar de um disco que saiu há cerca de 4 meses, se esteja a falar fora de tempo do mesmo. No entanto isso é muito pouco importante no caso dos Electric Moon e especificamente no caso deste registo. Stardust Rituals é um disco fora do próprio tempo por isso este parênteses era desnecessário, mas achámos que deveríamos de corrigir o nosso próprio preconceito em relação a estas coisas dos timings…

Desta vez, como das outras vezes, podemos falar de um álbum complexo mas aqui podemos vê-lo também como algo mais completo que o agrupamento de algumas músicas que compõe um álbum.  Os Electric Moon contam-nos na sua página que este é o seu quinto álbum de estúdio no entanto basta entrar na pagina de bandcamp da banda para perceber que a matemática do trio alemão, tal como a sua música são um mundo à parte.
Sobre Stardust Rituals creio que os Electric Moon alcançaram um novo nível de consciência na sua música ( novamente ) e produziram uma magnifica reflexão sobre o caminho que talharam noutros registos.
The Loop com o seu inicio melancólico incorporando a voz de Komet Lulu que a  pouco e pouco se funde com os sons da guitarra e dos sintetizadores para no final quase apoteótico da primeira faixa já reconhecermos muito mais os Electric Moon e os seus devaneios cósmicos.
Em Stardust Ritual, faixa que dá nome ao álbum e que segundo Sula Bassana já existe desde 2014 (podem ouvir no bandcamp da banda umas das primeiras versão desta espantosa faixa de 11 minutos) onde nos trazem uma sonoridade mais redonda e suja, mais perto do que nos habituámos a receber dos Electric Moon, mas agora com a voz de nómada feiticeira de Lulu que nos remete à poeira cósmica da qual todos fazemos parte. Desse ponto no desconhecido cosmos levam-nos à boleia de Astral Hitch Hike onde a cítara inicial e os sintetizadores nos conduzem realmente à essência mais leve e requintada do trio alemão, com a suavidade da bateria a marcar um ritmo quase fora de tempo, existindo apenas o suficiente para nos manter deste lado da consciência, para que o trio possa temperar toda a música o suficiente para nos preparar para a última faixa (You Will) Live Forever Now. É realmente o som da eternidade que os Electric Moon nos oferecem, uma sonoridade que nos faz sentir senhores do universo mas ao mesmo tempo nos remete para a  nossa finitude.
Um disco a não perder e para os que não aprofundaram ainda, uma banda a não perder de vista.

Blaze & The Stars, doze músicas para a redenção dos poetas


 Os Blaze & The Stars apresentaram na passada quinta-feira à noite, no Popular Alvalade, o seu mais recente registo o EP Terribo la Terribline lançado em Fevereiro deste ano.
Acompanhados de Alek Rein, Flak e António Ramos construíram um concerto bem delineado oferecendo aos presentes uma agradável surpresa que se apoderou de nós e nos deu a entender que muito embora estes rapazes transportem consigo já a maturidade, através dessa mesma maturidade produzem algo fresco e inusitado.

Munidos de um som quente como o blues mas ao mesmo tempo ácido como algum psicadelismo, ou por vezes perto de uma certa toada pós punk trouxeram até ao Popular um espetáculo narrativo deveras singular.
O arranque com Blues on the Box, primeira faixa do EP que apresentam, para nos ensinar o caminho, e criar um ambiente para logo de seguida nos lançarem Pull my Daisy e assim a mostrar duas faixas carregadas de uma panóplia de sentimentos, misturando a intemporalidade de um quase spoken word onde imperativamente clamam “Play your guittar boy”, em oposição a “Pull my Daisy” que nos inicia na acidez deste blues salpicado gentilmente pelo saxofone de António Santos que graciosamente e eleva a sonoridade construída dos Blaze & the Stars, emprestando-lhe uma sensualidade muito própria e um corpo sonoro mais preenchido, quase palpável. Daí levam-nos até a uma desconstrução de Portland Town do músico folk Derrol Adams à qual deram uma roupagem mais estridente e ácida.

Bali’hai e El desierto de los Ninos com a aplaudida participação de Alek Rein resulta como se estivéssemos perante a banda sonora de uma cavalgada pelos desertos ilustrada pelos elementos em palco, Fernando Ramalho e João Zagalo,Flack e Alek Rein alinhados como que a desafiar quem deles possa duvidar. Por vezes o baixo de Gonçalo Zagalo impõe o ritmo, outras vezes é Rui Lucena que o faz. Nada é estanque e os papéis vão se trocando à medida do que pretendem apresentar. 
Não existem dúvidas. O ecletismo da banda transcende a barreira da linguagem, pois na verdade conseguem transportar-nos a alguns universos sonoros que nos são de certa forma familiares ou que nos remetem para alguns lugares das nossas vivências. Em inglês, francês, ou espanhol constroem nos seus concertos uma musicalidade que contém resquícios de manifesto, interpretando poemas de Langston Hughes, Henri Michaux, Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Neal Cassady,  James Joyce, entre outros. Do princípio ao fim conduziram-nos pelos meandros poéticos que os cativam e cativaram-nos com as suas interpretações, prendendo a atenção dos que tiveram o privilégio de assistir.

Quase a finalizar “Blues For Sister Sally” do poema de Lenore Kandel, que nos traz essa vontade de querer algo mais que fazer músicas orelhudas, mas sim fazer músicas que mexem com os nossos vários sentidos e que permanecem a ecoar em nós até fazerem sentido… “god is a junkie and he has sold salvation for a week’s supply” gritou-nos Fernando Ramalho. O eco permanence. 

Podem ver a reportagem completa no Música em DX com fotografia da Ana Pereira!Podem ver a reportagem completa no Música em Dx com fotografia da Ana Pereira!


Clementine e Parkinsons, ou as entradas servem-se cruas e o prato principal queima-te a boca





Ontem, quinta feira,  depois de um dia de trabalho e antes de outro dia de trabalho, para a maioria dos que compareceram no Sabotage Club, os Parkinsons começaram a celebração da edição em vinil de A Long way to Nowhere, editado pela primeira vez em 2002.
Em 2012 vi os Parkinsons no Ritz. Foi um concerto que não compreendi. 
Estava fora daquele meio Ritz cheio de amigos que celebravam com eles aquela noite.
Mas em 2012 não percebi  isso, só em Abril de 2014 no Sabotage. Aí percebi que em 2012 estava apenas fora do contexto.  Demorei  cerca de 12 minutos para perceber isso.  E aí, saí da cabine do Sabotage onde estava alegremente na palheta com o David Polido e fui sentir aquele concerto!
Sim. Um concerto de Parkinsons sente-se. Na pele toda. 

Quem compra um bilhete para ver os Parkinsons sabe ao que vai. É um concerto de amigos para amigos. É uma festa, uma celebração, e se fosse ao ar livre até poderia ter pirotecnia executada por eles, ou como se diz “Eles fazem a festa, lançam os foguetes e recolhem as canas”. Eles são a festa e sabem contagiar toda a gente como poucas bandas conseguem.
A chuva que se intensificou ao longo do dia não desanimou quem chegava e o Sabotage acabou por ter uma casa bem composta de amigos e outros que tais para receber ambas as bandas.

O duo Clementine, Frankie Wolf (Shelley Barradas) e Lena Huracán (Helena Fagundes), iniciou as hostilidades por volta das 23h. E sim, hostilidades é uma palavra adequada.
O som destas miúdas destila poder e não falo de girl power ou riot grrrl ou algo semelhante.
É poder mesmo.
 É duro, honesto, honesto e bruto como uma qualquer primeira vez.  Street Walker e Monga que se podem ouvir  no EP Tiger de 2016 são isso mesmo.  Mutations ainda mais crú!  Cerca de meia hora de concerto com muito poucas paragens para respirar e quase nenhuns artifícios que nos distraíssem da prestação de Clementine,a que apenas acrescento que a cada concerto se revelam mais seguras do seu poder.

Os Parkinsons rodeados de amigos, no Sabotage, que me parece para eles é de facto uma casa, subiram ao palco por volta das 23h30, para começar o périplo por A Long Way to Nowhere.
São os Parkinsons e estão ali mesmo para nos obrigar a largar tudo para trás das costas e saltar e gritar com eles. Ao cabo de duas músicas já Afonso Pinto viaja por cima do público!
O concerto não esgotou, mas o facto de existir algum espaço no público, permitiu também uma interacção com o publico mais fluída que outros concertos que já vimos, onde respirar é quase uma tarefa hercúlea.
O objectivo de Afonso, Pedro Chau, Vitor Torpedo e a muy poderosa Paula Nozzari foi do principio ao fim provocar um motim e não deixar pedra sobre pedra e, quando anunciaram que iam tocar Scientists, alcançaram o objectivo.
Body and Soul mantiveram o público no pico e Bad Girl para ir ainda mais além.
O público apesar de receptivo não se entregou totalmente!
Nem com todas as provocações e incursões pelo público de Afonso Pinto conseguiram aquilo que hoje não será muito difícil, sendo sexta feira e sabendo-se já que o concerto se encontra esgotado.
O caos.
Na verdade ninguém se importou realmente com isso. Quem quis saltar saltou, quem quis ver um bom concerto conseguiu isso mesmo!
Quiseram despedir-se mas ainda tocaram So Lonely e deixaram o aviso...Amanhã há mais!
Há cerca de duas horas ficámos a saber que afinal não são duas noites mas três....
Considerem-se avisados...os Parkinsons tocam três dias seguidos no Sabotage Club, Não é para quem quer, é só para quem pode!

No fim o conselho que deixo é:
Estás de mal com a vida? Vai de espírito aberto ver um concerto de Parkinsons. Se não passar com a primeira dose mete a segunda, porque hoje é sexta e há mais no sábado!
P.S. desculpas manhosas do estilo, ah e tal está a chover não servem para perder isto!
Senhoras e senhores o espectáculo segue dentro de breves instantes com the Amazing Flying Pony e o segundo round dos Parkinsons.

Podem ver a reportagem completa no Música em DX com fotografia do Luis Sousa!http://www.musicaemdx.pt/2016/11/26/clementine-e-the-parkinsons-ou-as-entradas-servem-se-cruas-e-o-prato-principal-queima-te-a-boca/

Dirty Coal Train e The Swamps (Jap) Furacão rock n’roll



No passado sábado a Groovie Records celebrou o seu 13 aniversário e foi celebrá-lo com toda a pompa possível ou imaginária a uma editora de rock n’roll, ao Sabotage Club. Rock n’roll à séria de gente que carrega às costas a música para a fazer chegar onde a possam ouvir.
O local escolhido para acolher a festa foi o Sabotage Club que dista uns 500 metros em linha recta, e sem mudar de passeio da loja da Groovie Records.
As festas da Groovie Records que já nos trouxeram bandas como os brasileiros Dead Rocks, trouxeram-nos desta vez uma banda do país do sol nascente como protagonista, os The Swamps.
Foi todo um cenário de rock n’roll numa festa onde tudo era possível.
Poucos esperariam ver os Dirty Coal Train como duas verdadeiras pedras rolantes numa indumentária estampada com um toque de selva. E sim, estavam em estado selvagem. Quer na indumentária quer no som que debitaram sem qualquer dificuldade.
Os Dirty Coal Train actuaram determinados a incendiar o público. Incendiaram também os membros dos The Swamps, que vagueavam pelo público num registo de êxtase & jet lag agressivo, movendo-se ao som de um ritmo elevado que impuseram durante todo o concerto. 

É fantástico ver a garra com que os Dirty Coal Train agarram o público e de uma forma frenética, vertiginosa, avançam para o meio do público, rebolam no chão, encarnam em si todo o rock n roll possível dando tudo de si. Oferecem mais uma vez um concerto irrepreensível e sempre cheio de surpresas que torna impossível não se gostar deste trio maravilhoso.
Depois da fabulosa actuação dos Dirty Coal Train o público estava mais ou menos preparado para o que se seguia, no entanto alguns problemas técnicos dos Swamps quebraram o ritmo vertiginoso que havia sido imposto pela locomotiva bem oleada dos Dirty Coal Train.
Os The Swamps apareceram pela mão de Kim and Miss Koko e desde o inicío têm procurado trazer à audiência um autêntico espectáculo de rock n’roll com um enfase muito especial no garage punk.
A indolência com que se movem em palco mostra isso. São exibicionistas mas no bom sentido da palavra, exibicionistas por que estão ali para se exibir e é isso que fazem!
Começaram realmente de forma um pouco tímida, mas ao cabo de quatro músicas já estava marcada a posição.
Marcam pela distorção, a guitarra suja, quase sangra de tão crua que se faz sentir a ausência de efeitos. Tudo neles é cru, directo, rude, ríspido. Mas o público vibra com o ritmo de Miss Koko e do baixista que sustêm na parte rítmica toda a distorção da guitarra e a diluem!
É um daqueles fenómenos que só faz mesmo sentido depois de ver ao vivo. A visão fora do vulgar que estes japoneses têm do rock n roll. 

Kim rebola no palco, e toca guitarra em todas as posições que consegue, canta, grita, urra!!
E o público grita e dança com os Swamps! As festas de Rock’n roll são mesmo assim! Os Dirty Coal Train e os the Swamps apresentaram e representaram de forma exímia o que os move e homenagearam da melhor forma a editora a que pertencem.
Podem ver a reportagem completa no Música em DX com fotografia do Luis Sousa!

Labirinto & Then They Flew: o post rock a cruzar o Atlântico



Na passada terça-feira o Sabotage Club brindou-nos com uma generosa imersão de post  Rock, oferecendo-nos dois concertos, de duas bandas que se poderiam dizer familiares e representantes do mesmo género. Os Labirinto, banda brasileira que conta já com cerca de 13 anos de existência, e os portugueses Then They Flew.
Encontrámos uma casa a meio gás, pouco composta de gente, no entanto os Then They Flew deram o seu melhor para interessar quem pudesse chegar, e no meio da sua harmoniosa angústia post rock arrancaram muita gente da monotonia de uma terça-feira qualquer através dos seus riffs compostos e trabalhados à exaustão.
Os brasileiros Labirinto trilham o seu caminho desde 2003, numa mistura harmoniosa de riffs de guitarra cheios e e pesados e outros arranjos orquestrais, e uma percussão com um certo travo tribal que denuncia a nota tropical deste post rock do outro lado atlântico e vieram apresentar o seu mais recente registo, editado em marco deste ano, Gehena. 

O palco foi pequeno para albergar os seis músicos que se entregaram por completo à viagem que pretendiam proporcionar onde não faltou sequer o elemento visual comandado pela poderosa baterista da banda.
A integração de elementos orquestrais e elementos electrónicos como em Locrus ou Avernus mostram o complexo trabalho que a banda tem para criar este arrojado post rock, em que elaboram camadas sonoras sucessivas que preenchem na totalidade o éter e que nos traz uma sensação de viagem turbulenta mas ao mesmo tempo segura e apaziguadora.
Houve tempo para conversar com o publico, e expressar algumas preocupações sobre a actual situação do Brasil, o que desanuviou um pouco o ambiente quase soturno que haviam criado com a própria sonoridade.
Num momento estávamos imersos numa vertiginosa explosão sonora crispada pelos poderosos riffs das guitarras e a bateria maníaca quase a explodir, no momento seguinte já num outro mundo onde apenas sentimos os sons apaziguadores criados electronicamente e misturados com a percussão para nos levarem sem qualquer receio na viagem que tinham para nós programada.
O concerto sucedeu numa espécie de crescendo emocionante e foi uma boa demonstra;ao do que se esta a fazer a nível de sonoridades mais pesadas do outro lado do atlântico. A faixa que dá nome ao álbum, ficou para o final e fechou uma boa noite de musica. Aguardamos nova visita!Podem ver a reportagem completa no Música em DX com fotografia do Luis Sousa!

Silver Apples; o elixir da juventude




A sala do Music Box recebeu, há alguns dias atrás, um concerto que será certamente recordado com especial carinho por aqueles que tiveram o prazer de assistir.
Afinal não é todos os dias que temos à nossa frente os Silver Apples de Simeon Coxe III nascido em 1938, e que é actualmente o único membro daquele que era originalmente um duo, pois o baterista Danny Taylor já nos deixou há cerca de 12 anos. Assim, tivemos o privilégio de ver actuar ao vivo e bem de perto um dos músicos que mais influenciou a música ocidental.
Tocou para cerca de uma centena de pessoas, numa viagem a um mundo que já não existe ou que pode apenas ter existido na sua visão da música, materializada em dois álbuns editados no final dos nos 60 e outros dois após um hiato de cerca de três décadas, hiato esse que não modificou a visão de ambos e que continua a ser a visão de Simeon. Pela terceira vez em Portugal, Silver Apples vieram apresentar o álbum editado em 2016, Clinging to a Dream, onde Simeon continuou a viagem iniciada há quase 50 anos sem que se tenha sentido qualquer desvio da estética original. Simeon Coxe continua a deslumbrar, seja na viagem em que nos leva até às primeiras músicas dos Silver Apples, seja com as músicas que figuram em Clinging to a Dream.
É com uma impressionante candura que antes de começar a tocar lança para a plateia um sorridente “Escuse me whille i kiss the sky”, para logo de seguida nos trazer ” Walkin’” e “I Don’t Care What the People Say” que possivelmente reflectem um pouco o que Simeon e Danny terão dado como resposta a todos os que os haviam criticado pelo caminho criativo pelo qual enveredaram, muito virado para o experimentalismo e sobretudo pelo uso de instrumentos pouco habituais tais como aquele ao qual Simeon acabaria mesmo por emprestar o seu nome. 

Pudemos também ouvir “The Owl”, “Dust” e “You and I”, músicas de uma generosa complexidade sonora tocadas agora a duas mãos apenas, embora a presença de Danny Taylor perdure através das baterias sampladas que Simeon continua a usar. Apesar de ser notório algum esforço por parte de Simeon para cantar e manipular toda a parafernália de instrumentos que utiliza, a magia permanece quase intocada.
Houve ainda tempo para “Oscillations” e do mais recente registo “Missin you” e “The Edge of Wonder”. Um momento memorável para ser sentido em plenitude e sem preconceitos, para que se nos revele a magia que Simeon conduz e desafia ainda hoje muita gente a expandir os seus horizontes musicais. 

Os portugueses Gala Drop entraram bem em palco, agarrando o público que já se encontrava em maior número. Cativaram por trazerem uma sonoridade mais exótica e preenchida, que ao mesmo tempo poderia ser evocativa de algumas viagens a lugares distantes. Um concerto que fez dançar boa parte do público mas que ao cabo de meia hora não nos trazia nada de novo ou surpreendente a nível da actuação da banda. Apesar de produzirem um som bastante dançável, a pouca interacção com o público levou a que o mesmo se desligasse um pouco do concerto, apesar de continuar imerso nele e continuasse a noite como se a banda estivesse ausente em alguns momentos.
Os Ghost Hunt protagonizaram o último concerto da noite para uma plateia que se revelou atenta e receptiva. Uma actuação que foi crescendo à medida que o concerto foi avançando e o som encorpado e denso se foi estendendo a toda a sala. Caracterizados pelo baixo pulsado de Pedro Chau, que navega solto por vários quadrantes cósmicos e por vezes obscuros, assente na parceria com Pedro Oliveira remetem-nos para a descolagem de um qualquer vaivém espacial à descoberta dos confins do universo. Uma viagem num registo de confirmação em que se vê e sente a capacidade de produzir sonoridades cósmicas bem delineadas numa construção fina e suave nas suas variações mas ao mesmo tempo dura e áspera nas suas convicções e que não dá descanso aos corpos que ondulam no ritmo. 

Contas feitas ao final da noite contabilizam-se três concertos com alguns pontos em comum, mas suscitando cada um deles impressões e sensações diferentes, ora dando lugar a momentos mais evocativos ou contemplativos ora dando aos corpos novos mundos para dançar num momento em que o passado o presente e o futuro se parecem ter fundido numa demanda cósmica.

Podem ver a reportagem completa no Música em DX com fotografia do Daniel Jesus!