Songs To Nowhere#109#Trendkill Radio#6.09.2021

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Monkey3, Miss Lava e It Was The Elf Como um relógio suiço.


No dia 8 de Fevereiro aconteceu no RCA, em Lisboa, a segunda parte da dupla estreia dos suiços Monkey 3 em Portugal, que foram excelentemente secundados pelos portugueses Miss Lava e It Was the Elf em Lisboa e pelos Astrodome no Porto. Há que salientar que ter três concertos a uma quarta feira tem o seu quê de ambicioso. O que é bom. Ser ambicioso é bom quando se trata de almejar uma boa organização que torne confortavél a concretização dos concertos e desenvolva a confiança do público que sabe que não será defraudado nestas questões de horários versus qualidade. É importante para as pessoas que pagaram para ver as bandas, pelas mais diversas razões. Houve alguns que sairam dos seus trabalhos e nem jantaram para ali estar a horas, outros houve que aproveitaram o concerto para um jantar com amigos, outros chegaram mais tarde porque mais cedo nem sempre é possivél. E essa acaba por ser a grande magia que torna estes momentos em algo memoravél. É bom ver horarios a serem cumpridos por muito rock n roll que haja aqui! Sem grandes cerimónias ou efeitos os portugueses It Was The Elf, que editaram em 2016 o seu primeiro albúm, Fire Green, entraram em palco por volta das 21,40. Entraram com garra e concientes de qual o seu papel na engrenagem daquela noite, dar-se a conhecer e causar a melhor impressão a quem não conhece. À terceira música o público apesar de não conhecer os temas rende-se à evidência destes rapazes que bem souberam mostrar que sabiam ao que vinham. Os It Was The Elf, naturais de Gouveia, conseguem uma boa transposiçao do som do deserto para as montanhas de onde são naturais. Consegue sentir-se na sua sonoridade o calor mais caracteristico que emana das sonoridades stoner, mas também travo mais fresco. Aconselhavél a audição àqueles que apreciam o stoner, mais crú e com uma distorção pesada como uma tarde de sol na montanha em pleno verão. When Beasts Collide e The Mountain's Elder encerram o concerto dos It Was the Elf que foram muito bem recebidos pelo público nos seus cerca de 40 minutos de concerto. Uma boa escolha para um equilibrio sonoro entre as bandas ou um bom contra peso em relação ao stoner rock mais directo dos Miss Lava ou em relação aos som mais contemplativo dos Monkey3. Os Miss Lava quase dispensam apresentações. São presença regular no circuito do stoner rock português desde o seu primeiro álbum de 2009, e quem já os viu, sabe bem o que são os seus concertos. Apesar de terem sofrido uma baixa de peso, Cuca por motivos de saúde não pôde sentar-se atrás da bateria, há que dizer que a performance destes não sofreu alguma coisa de especial com esta quebra da sua hegemonia, até porque os próprios fizeram questão de salientar, Emílo Salas com quem contaram na bateria, é também ele um amigo e a presença de Cuca no concerto, embalado nas suas muletas trouxeram momentos que demonstram toda a cumplicidade que os caracteriza até mesmo neste pequeno percalço. Essas coisas notam-se, nas letras e nas músicas e nas próprias performances, repletas de cumplicidade. Um rock directo, cheio, cúmplice do seu público, fiel e expressivo nas emoções que pretende transmitir. É isso que os Miss Lava nos trazem. Elevam assim o ritmo e o batimento cardíaco dos presentes. Que gostam, correspondem, cantam, seguem as palmas e os pedidos da banda. E os Miss Lava não desarmam e durante cerca de 50 minutos revisitam os três albúns. Another Beast Is Born, The Silent Ghost of Doom, Black Rainbows ou Fangs of Venom e in the Arms of the Freacks. Ao cabo de cerca de 50 minutos de concerto despedem-se com Planet Darkness e a habitual ovação do público que já os conhece há algum tempo e nunca dará o seu tempo como perdido a estes simpáticos e extrovertidos rapazes cheios de rock na guelra. Os Monkey3 criaram uma expectativa razoavél no publico que os esperava para ouvir o seu mais recente albúm Astra Symmetry, e os ecos do concerto da noite anterior no Porto auguravam tudo de bom para a prestação destes. A entrada algo dramática com as projecções na bateria e no palco ao som de “The Water Bearer” e “Crossroads” do albúm “Astra Symetry” mostraram logo que tudo o que aqui se iria ver estava planeado de forma meticulosa. Desde as imagens selecionadas para as projecções ao alinhamento.



 E o facto é que à primeira música o público estava rendido. Os Monkey3 cumpriam de facto e à primeira música, aquilo que se esperou deles. É com toda a certeza concebivél um concerto deste quarteto suiço sem essas imagens mas na verdade não creio que seja tão completo. A sonoridade contemplativa apesar de ser bastante apelativa para quem aprecia o genéro, torna-se muito mais rica com uma componente visual à altura. Nessas mesmas imagens todo um imaginário ligado ao espaço e às máquinas que nos deram essas mesmas imagens do espaço, mas também flores a desabrochar e a crescer, florestas a perder de vista ou mesmo visões de seres bizarros. Um mundo do fim do mundo com explosões e cogumelos atómicos, uma redenção pela tecnologia ou erradicação da mesma dando lugar a imagens do globo terrestre e do espaço. “The Birth Of Venus” foi excelentemente secundada pelas imagens que se sucediam vertiginosas, quer fosse de flores a desabrochar a sucessivamente, quer de bombas atómicas a explodir, ou seres humanos a gravitar no espaço, a verdade é que naquele momento tudo faz sentido. A inesperada versão de “Numb” dos Pink Floyd, saída de Undercover, primeiro albúm de 2009, foi um dos melhores momentos a nivél de interpretação e demonstrativo do peso que estes rapazes podem ter. Além de todos os momentos contemplativos, densos e consistentes, uma espantosa apresentação de “Moon”, onde o teclista JD, sai da penumbra da parte lateral do palco e assume o protagonismo no solo de guitarra. “Icarus” já na parte final do concerto, fazia prever um encore, que veio a acontecer, tanto por pedido do público como por próprio gozo da banda que se nota gostar bastante daquilo que ali fez, e os Monkey 3 aproveitaram para relembrar uma música que se tem mantido no seu alinhamento desde que saiu em 2013, e que terminou o concerto da melhor forma possivél, “Trough the Desert”. Haveria muito mais por ouvir, e se os Monkey3 quisessem tocar a discografia completa, muito poucos arredariam pé e todos ficassem pediriam encore. A execução técnica bastante boa faz com que a transposição do som de estúdio sofra muito pouco para o palco. A todos soube a pouco os cerca de 90 minutos de concerto. Esperamos voltar a vê-los em breve por cá!

Podem ver a reportagem completa no Música em DX com fotografia do Nuno Cruz!

Bong, de um só fôlego.




A Galeria Zé dos Bois acolheu, na passada quinta feira, o concerto da tournée “Meditations in May” dos ingleses Bong. Um concerto difícil de traduzir por palavras e mesmo imagens.
Esperava-os uma sala cheia, atenta e sedenta pela sonoridade do trio que  abrange atmosferas drone e  Doom.
A guitarra de Mike Vest rompe o silêncio que se fez quando entraram em palco sob três débeis focos de luz. Durante quinze minutos Vest manipula a guitarra e todos os seus efeitos das mais variadas formas, introduzindo e transformando o som num mantra, como se este viesse até nós em ondas sucessivas, cada vez mais fortes , que nos envolvem cada vez mais e se vai sobrepondo em várias e complexas camadas, que se  sobrepõe mas não se anulam e em que a densidade aumenta, até ao momento exacto que todos entramos num transe meditativo.
Quando a voz de David Terry entra em cena quase nos tira do transe de hipnótico intemporal onde nos encontrávamos, e de súbito, até chega mesmo a parecer que se vai inverter o rumo ou se vai seguir outra qualquer direcção, mas não.  O trio constrói habilmente uma paisagem sonora  poderosa e intrincada, uma elaborada e complexa teia composta pela guitarra de Mike Vest e todos os seus efeitos, assente nos pilares basilares do baixo de David Terry e da bateria de Mick Smith. David e Terry completamente imóveis em palco, David a perscrutar o universo e Terry com a cabeça entre as pernas como se tivesse abandonado o seu próprio corpo sob a bateria enquanto Vest continua a construir onda a onda “Polaris” até nos envolver completamente.
Recebida essa maré de sonora, construída essa teia intrincada, bastou-lhes manipular o som que nos manteve em silêncio, absortos, num estado quase meditativo durante cerca de setenta minutos.  
Durante  cerca de setenta minutos, sem qualquer paragem, levaram o público a percorrer a vastidão do seu universo doom, elevando uma  sonoridade que poderia ser a banda sonora do estertor final de um planeta,  tal a intensidade do som que emanavam e que manteve toda a sala suspensa, numa respiração que nos leva ao mais profundo pedaço da nossa etérea existência.
Um espectáculo concebido especificamente para se fazer sentir no nosso mais profundo âmago sem quaisquer distracções visuais.
 Foi como se o mundo fora daquela sala se tivesse auto suprimido durante aquele tempo. Termina, sais da sala, respiras e é todo um novo mundo que se revela após Meditations in May.


TAU, O deserto sul americano veio até ao Sabotage




Quando Shean Nunutzy se descalçou para iniciar o concerto enquanto o multi intrumentista Gerald Pasqualin orquestrava sinos e sintetizador, ficou logo subentendido que mais que um concerto, aquilo seria uma experiencia. Uma experiencia semelhante a guitarra de Nunutzy. Uma acustica com distorção

E foi.
Mereciam muito mais pessoas que as que estiveram na noite de sabado no Sabotage.
Mas todos os que presenciaram entregaram se completamente ao ritual.

Curto e repetitivo, uma repetição que se transforma num som redondo, que nos envolve a cada batida mais forte, até todos respirarmos ao mesmo ritmo.

Chegados a esse ponto a banda informou que:

"realmente fazemos todos parte daquele som
Ignorem as câmaras parem tudo o que estao a fazer. Facam parte disto."

Foi esse o repto lançado.

"Venedito Venedito.....Venedito....Venedito...

A experiência sagrada do sol aconteceu por volta das 00h de sábado quando os TAU subiram ao palco so Sabotage.


 Podem ver a reportagem completa aqui: